Expectativa do mediador sobre as partes afeta a mediação

8 out 2015 | Categoria: Artigo

O mediador não pode criar expectativas sobre as partes, o seu interesse deve se restringir à situação, ainda que o bem estar e o conforto das partes com o procedimento deva ser uma das prioridades para que o desenlace do caso ocorra de forma tranquila.

A expectativa nos torna ansiosos por um resultado que acreditamos ser o correto. A expectativa faz com que acreditemos que todos pensam e sentem da mesma forma que nós. A expectativa nos faz crer que o comportamento do outro diante de certas situações é lógico. Enfim a expectativa não reconhece a humanidade do outro, porque sintetiza a existência na igualdade, esquecendo-se que qualquer quebra-cabeças se monta com peças diferentes para ao final uniformizar o todo.

Ora se o que nos encanta é a variedade de cores das flores, porque não imaginamos que tal variedade entre as flores pode estar na forma de encarar de cada um? A ausência de compreensão sobre a diversidade é geradora de sentimentos negativos que desfavorecem o mediador.

Esses sentimentos podem desencadear a ira, a cólera e a agressividade exagerada, que mesmo que nos pareçam veladas durante a mediação, são visíveis em nossa linguagem corporal. Por isso a busca da internalização da compreensão da diversidade deve ser contínua na vida de um mediador.

Para que isto aconteça ele deve observar as questões humanas de todos a sua volta, o máximo possível em seu dia a dia, ou a ameaça embutida nos próprios sentimentos, poderá ressurgir durante a mediação, e o mediador como condutor de todo o procedimento, verá seu trabalho se reduzir ao restabelecimento do próprio ego.

A visão de mundo do mediador deve se expandir o máximo possível para que ele compreenda que certas vicissitudes da vida são parte da humanidade de cada qual. A compreensão do todo como parte de si mesmo torna o indivíduo mais responsável pelos acontecimentos em que participa. Nada pode esconder os sentimentos que nos tomam e esses envolvem todos aqueles que estão próximos tornando a sinergia negativa.

A sinergia negativa fruto da expectativa exagerada do mediador elimina a confiança de todos os participantes do método pois é geradora de medos tais como: perder o espaço, errar, etc.. O mediador partícipe desses equívocos, involuntariamente torna-se autoritário e destrói o prosseguimento da mediação.

Mediadores e mediandos são organismos vivos e como bem afirma Fritoj Capra em o Ponto de Mutação;

 

As máquinas funcionam de acordo com cadeias lineares de causa e efeito, e quando sofrem uma avaria pode ser usualmente identificada uma única causa para tal efeito. Em contrapartida, o funcionamento dos organismos é guiado por modelos cíclicos de fluxo de informação, conhecidos por laços de realimentação( feedback loops). Por exemplo, o componente A pode afetar o componente B; B pode afetar C; e C pode “realimentar” A e assim fechar o circuito. Quando tal sistema sofre uma avaria, esta é usualmente causada por múltiplos fatores que podem ampliar-se reciprocamente através de laços interdependentes de realimentação. De modo geral, é irrelevante saber qual desses fatores foi a causa inicial do colapso.

 

A  compreensão do afirmado por Capra demonstra o quanto é importante para o mediador se perceber como parte do todo para desenvolver um trabalho sinérgico com as partes e evitar os equívocos, inerentes à sua humanidade.